sexta-feira, 13 de novembro de 2009

30 anos. O q significa isso?

-Completei 30 anos no dia 12/10/2009, porém, já a algumas semanas antes vinha tentando encontrar em mim uma pessoa desta idade, entender o que isso significa, se é que significa algo.
- Apesar de assumir algumas responsabilidades no trabalho e na vida e de já haver atingido alguns "objetivos" pessoais, sinceramente, não me sinto como uma pessoa de 30 anos, pelo menos do que imaginava de uma pessoa desta idade quando era menor.
- Imaginava que com 30 anos, já estaria casado, com barba, um par de óculos "careta", uma vida já definida profissionalmente, com filhos, falando sobre coisas que ainda acho chatas e sem graça e, pior, que estaria gostando disso.
- Achei q não teria mais nada a descobrir, a empreender, a desafiar, a mudar. Porque não?
- Quem sabe por que essa imagem foi colocada na minha cabeça pela cultura de nossa cidade ou do meio onde vivo. Meu pai, por exemplo, aos 30 já tinha dois filhos. E era totalmente auto-suficiente, um pai de família na acepção completa da palavra, com tudo o que isso envolve. E demonstrava e demonstra até hoje extremo contentamento com essa condição.
- Não estou dizendo aqui que eu seja um irresponsável. Definitivamente não! Tenho meu trabalho, que me dá a oportunidade de ter as coisas que quero e de tomar minhas decisões de maneira TOTALMENTE independente.
- Tenho tranqüilidade de desenvolver um trabalho de qualidade para meus clientes. Mas as vezes me vejo numa vida na qual não me sinto definitivamente "encaixado", ou melhor, que não me completa. Tenho muito prazer no desenvolvimento da minha atividade profissional, mas vejo muitas outras possibilidades, outras coisas que me interessam, que me inquietam e ainda quero fazer tudo ao mesmo tempo.
- Vejo alguns colegas dos tempos de colégio da mesma idade que eu e que parecem senhores de 50 anos. Com a cara fechada, roupas correspondentes. Valores totalmente diferentes. Ainda conversamos, mas já não falamos a mesma língua. Me frustra a "perda" do amigo. Mas sinceramente dou graças a Deus por não estar igual a eles. Eles, com certeza, devem dar garças a Deus por não estarem igual mim. È justo.
- Aos 30 me sinto livre, mas sabendo coordenar melhor essa liberdade o que amplia meus horizontes e minhas possibilidades. Se tivesse escolhido outro caminho estaria, com certeza, mais limitado.
- Hoje sou um híbrido, me sinto cheio de energia, antenado, curioso, apaixonado, colorado, entusiasmando. Porém aprendendo a tomar as coisas com mais calma, degustar mais, planejar mais, economizar mais, pensar duas vezes, contar até dez (ainda que as vezes ainda seja tomado pela emoção e cometa deslizes, normal).
- E esse é meu dilema no momento. Tenho coisas de um adolescente e coisas de um homem já "quase maduro". Não me encontro "nem lá, nem cá".
- È nos 30 que começamos a perder a velocidade da juventude, porém, ainda jovens. Afinal, o que significa fazer 30 anos? O que é um número? A única coisa certa é que seja lá qual for o dia da minha morte está mais perto. Perdi alguns anos. Mas aprendi a aproveitar os que restam com muito mais qualidade. Acho até que foi uma boa troca. Aliás, esses 30 foram muuuito bem vividos, Não faltam histórias, experiências, amores, lembranças, saudades. E segue a vida...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ensinamentos de Berlim

- No último dia 09/11/09 completaram 20 anos da queda do muro o que me fez lembrar desse auto retrato durante uma caminhada pela cidade, num fim de tarde da primavera de 2008.
- Como todo mundo sabe, ou pelo menos deveria saber, o tal muro dividiu Berlim e a Alemanha inteira ao meio durante anos. Construído na madrugada do dia 13 de agosto de 1961, era mais que uma simples parede com fios de arame enfarpados e eletrificados, 302 torres de observação, 255 pistas de corrida para cachorros ferozes, mais de três metros de altura, também dividia a Europa ocidental (mais liberal) e o bloco do leste (comunistas liderados pela URSS). Era a mostra maior da polaridade que o mundo vivia na época.
- A aparência física do muro hoje é frágil, feia, cinza. Em alguns trechos está grafitado numa tentativa de torna-lo em algo positivo. tem pinturas interessantes, protestos, mensagens de tolerância, igualdade, etc...
- Pelas lembranças pesadas trazidas dos tempos em que ainda dividia famílias, amantes, amigos, vidas, mundos. Causava a morte, a tristeza, ou seja, nada de positivo. Hoje serve de alerta a humanidade. Que todos fiquem atentos a excessos, radicalismo, intolerância, autoritarismo, etc...
- Berlim hoje é uma cidade unificada, moderna, harmónica. A parte da cidade onde estava hospedado lembra muito Porto alegre, o bairro cidade-baixa com seu barzinhos a beira da Rua,, gente bebendo conversando, dando gargalhadas. A atmosfera e extremamente leve o que foi uma surpresa pra mim. Confesso que tinha um expectativa bem diferente com relação a Alemanha.
- Uma caminhada a beira do Rio que passa atrás muro (na perspectiva da foto), lado correspondente a antiga Berlim oriental, è um tranquilo passeio pelo mundo atual, globalizado, organizado e tolerante. Mas que faz questão de não esquecer o tempo que era o contrário de tudo isso. Aprendendo com os erros do passado.
- É tanta a tranquilidade do ambiente que este "rapaz" pôde ficar ai.. Por mais de uma hora observando a movimentação, pensando nas histórias horríveis que ali se passaram e tentando entender a mente humana, capaz de barbaridades como essa, até dar-se conta que é impossível sem ao menos antes entender a sua própria.